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A taxa Selic não apenas caiu 0,25% para 2,00% ao ano, mas atingiu o menor patamar da série histórica. Mas como isso impacta os seus investimentos?

Em resumo, neste post falarei de:

O que é a Selic?

​A Selic é a taxa básica de juros da economia, pois influencia todas as taxas de juros do país, como as taxas de juros dos empréstimos, dos financiamentos e das aplicações financeiras.

Trata-se da taxa média cobrada em negociações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, registradas diariamente no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), por isso, a taxa de juros Selic é a referência para os demais juros da economia.

Além disso, é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central (BC) para controlar a inflação.

Isso porque, quando a taxa Selic sobe, os juros cobrados nos financiamentos, empréstimos e cartões de crédito ficam mais altos, consequentemente, o consumo fica desestimulado e favorece a queda da inflação.

Por outro lado, quando a taxa Selic cai, tomar dinheiro emprestado fica mais barato, já que os juros cobrados nessas operações ficam menores, estimulando o consumo e a inflação.

Portanto, podemos dizer que a Selic é a taxa básica de juros do país.

Como é definida a Selic?

O Comitê de Política Monetária (Copom) é o órgão do Banco Central, formado pelo seu Presidente e diretores, que define, a cada 45 dias, a taxa básica de juros da economia – a Selic.

No entanto, a decisão de aumentar, manter ou diminuir a Selic se dá com base em dados, não em datas. Ou seja, o Copom toma suas decisões a cada reunião, conforme as expectativas de inflação, o balanço de riscos e a atividade econômica.

Em resumo, o BC define a taxa Selic visando o cumprimento da meta para a inflação, pois a taxa Selic afeta outras taxas de juros na economia e opera por vários canais que acabam por influenciar o comportamento da inflação.

Qual a relação da Selic com a inflação?

Manter a taxa de inflação baixa, estável e previsível é a melhor contribuição que a política monetária do BC pode fazer para o crescimento econômico sustentável e a melhora nas condições de vida da população.

Com preços estáveis, todos podem se planejar melhor. Isto é, empresas têm melhores condições para realizar investimentos e as famílias para avaliar quanto vão gastar ao longo do mês.

Nesse contexto, há condições mais propícias para que a economia cresça, favorecendo a criação de empregos e o aumento do bem-estar na sociedade.

Cabe ressaltar que a inflação alta prejudica principalmente as famílias de baixa renda, uma vez que estas têm mais dificuldade de se proteger contra a perda do valor real da moeda.

Taxa Selic a 2,00% ao ano

Na última quarta-feira (05/08), em virtude de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, a taxa Selic foi reduzida em 0,25%, caindo para 2% ao ano.

A decisão já era esperada por parte do mercado, já que segundo o Boletim Focus de expectativas de mercado, espera que a taxa Selic termine o ano de 2020 em 2,00% ao ano.

Em outras palavras, com esse novo corte, o mercado prevê que o ciclo de cortes na taxa Selic iniciado em agosto de 2019 terminou e deve permanecer até o final do ano.

Nesse interim, também foi atingido um novo recorde de mínima para a Selic, pois desde sua criação em 1999, nunca havia chegado em um valor tão baixo.

Porém, em nota o comitê informou que ainda há espaço remanescente para utilização da política monetária, ou seja, novos cortes, porém devem ser menores ou mais no futuro.

Selic a 2,00% ao ano é bom?

O objetivo do Banco Central ao definir a taxa Selic é atingir a meta de inflação, que para este ano é de 4% com margem de 2,5% para cima ou para baixo.

Nesse sentido, as mesmas expectativas de mercado do Boletim Focus preveem uma inflação de 1,63% em 2020. Ou seja, caberia espaço para um pouco mais de inflação e o instrumento de política monetária utilizado pelo Copom para fazer isso é diminuindo a taxa Selic.

Se por um lado a queda da taxa Selic parece ser um bom indicador, pois significa que a inflação está abaixo da meta e que os juros para tomar dinheiro emprestado também devem cair no curto prazo.

Por outro lado significa que a rentabilidade dos investimentos em renda fixa também está menor.

Por isso, fiz uma simulação com alguns valores para avaliar o comportamento da rentabilidade dos produtos de renda fixa com a taxa Selic atual.

Como ficam os investimentos da renda fixa?

Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro as premissas adotadas para a simulação dos investimentos nessa nova realidade de taxa de juros Selic:

  • SELIC: 2,00%
  • Poupança: 1,40%
  • 100% CDI: 1,90%
  • 110% CDI: 2,09%
  • 120% CDI: 2,28%
  • Inflação (IPCA): 1,63%

A inflação foi retirada do último relatório Focus de Mercado, divulgado pelo BC na última segunda-feira (03/08) e representada a estimativa de mercado para a inflação no ano de 2020.

InvestimentoRendimento NominalRendimento LíquidoRendimento Real
Dinheiro no colchão0,00%0,00%-1,63%
Poupança1,40%1,40%-0,23%
Tesouro Selic2,00%1,55%-0,08%
100% CDI1,90%1,47%-0,16%
110% CDI2,09%1,62%-0,01%
120% CDI2,28%1,77%0,14%
Análise Comparativa de Rendimentos

Esses resultados foram calculados através da planilha Análise Comparativa de Rendimentos, disponível para download de forma gratuita.

Em suma, o resultado mostra que, apesar de um rendimento nominal de 2,00% do Tesouro Selic, quando descontado o imposto de renda, ele fica bem próximo do rendimento líquido da poupança.

Aliás, para bater a rentabilidade do Tesouro Selic na Renda Fixa, o investimento teria que render aproximadamente 110% do CDI.

Entretanto, quando analisado o rendimento real, ou seja, o rendimento descontado a inflação, percebe-se que, somente com um rendimento acima de 110% CDI seria possível ter um rendimento real positivo.

É o fim da renda fixa?

Os resultados somente escancaram o que já era sabido há muito tempo, pois com a queda da taxa Selic atingindo a mínima histórica, os investimentos em renda fixa estão perdendo atratividade em comparação com a Renda Variável.

No entanto, nada muda para a formação da reserva de emergência, pois esse tipo de objetivo exige baixo risco e alta liquidez e essas características só são possíveis em investimentos de renda fixa.

Outra informação importante é de que a taxa de custódia da B3 de 0,25% ao ano sobre o Tesouro Selic foi isentada para quem tiver até R$10.000,00 investidos.

Isso foi fundamental para que o Tesouro Selic se mantivesse como a principal opção para reserva de emergência.

Conclusão

Com isso, vimos que a Selic é a taxa básica de juros da economia, pois influencia todas as taxas de juros do país. Além do mais, a nova queda de 0,25% reflete o atual momento brasileiro de baixa inflação, que permite essa redução.

Como consequência, os investimentos em renda fixa estão cada vez menos atrativos e, para alcançar um rendimento razoável, os investidores precisam diversificar sua carteira de ativos.

Em outras palavras, para um rendimento melhor, será necessário começar a investir em renda varável, como por exemplo, Fundos de Investimento, Ações, entre outros.

Por fim, para quem ainda está montando uma reserva de emergência, nada muda, pois deve-se investir em renda fixa mesmo com rendimentos reais sejam negativos.

Murilo Massaretto

Murilo MassarettoEconomista com especialização em Finanças, Investimentos e Banking